O Futuro das Emoções, um livro de Eva Illouz

Terminei a leitura de “O Futuro das Emoções: Como o Tecnocapitalismo Explora a Nossa Subjetividade”, de Eva Illouz, com Jonas Ferdinand, e é um daqueles livros que considero que toda a gente deveria ler. A edição é da Temas e Debates, uma chancela da Bertrand Editora.

Breve, provocador e profundamente pertinente para compreendermos o mundo em que vivemos. Há muito que me interesso pelo poder das emoções, mas esse interesse tem vindo a crescer à medida que procuro compreender melhor a relação entre aquilo que sentimos, aquilo que pensamos e a forma como agimos.

Eva Illouz apresenta-nos uma reflexão inquietante: as nossas emoções tornaram-se também um recurso económico. Vivemos numa sociedade em que os sentimentos são constantemente estimulados, expostos, quantificados e transformados em mercadoria. As plataformas digitais, os algoritmos e as novas tecnologias não se limitam a facilitar a comunicação. Influenciam também a forma como sentimos e nos relacionamos.

E surge uma questão fundamental: até que ponto aquilo que sentimos é verdadeiramente nosso?

Esta leitura reforçou uma convicção que tenho vindo a desenvolver: a inteligência emocional é uma competência cada vez mais indispensável.

Num mundo marcado pela incerteza, pela velocidade da informação, pela polarização e por uma conjuntura internacional particularmente exigente, precisamos de aprender a reconhecer as nossas emoções, compreender as suas origens e desenvolver maior consciência sobre os estímulos a que estamos expostos.

A inteligência emocional não nos torna imunes à manipulação, mas pode ajudar-nos a reconhecê-la.

Não se trata de controlar tudo o que sentimos, mas de desenvolver consciência, pensamento crítico, autorregulação e discernimento.

Talvez uma das grandes tarefas do nosso tempo seja precisamente esta: aprender a sentir com consciência, a pensar com autonomia e a reconhecer quando as nossas emoções estão a ser utilizadas para servir interesses que não são os nossos. Aconselho a leitura atenta.

 

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