A palavra “biblioterapia” começa hoje a ganhar presença em Portugal, mas para muitos continua a ser um conceito vago. Afinal, o que significa, de onde vem e de que forma pode ser aplicado? Estas são precisamente as perguntas que estruturam o Capítulo 1 do livro Biblioterapia: O Poder da Poesia na Gestão Emocional, de Diana Teixeira de Carvalho, publicado em 2025.
Neste capítulo inaugural, a autora estabelece as bases de uma prática que está a conquistar espaço internacionalmente e que começa agora a ser discutida no nosso país: o uso da leitura como instrumento terapêutico.
O que é a biblioterapia
O termo designa o uso orientado da leitura com fins terapêuticos. Isto significa que livros, contos, poemas e outros textos podem ser utilizados de forma intencional para promover bem-estar, apoiar processos de reflexão e reduzir sintomas associados a problemas emocionais como ansiedade, depressão ou solidão.
O Capítulo 1 do livro explica como a biblioterapia se situa entre a literatura e a saúde: não substitui a medicina ou a psicoterapia, mas funciona como prática complementar, capaz de estimular a mente, abrir espaço à introspeção e criar oportunidades de diálogo.
Raízes históricas
Embora possa parecer uma descoberta recente, a ideia de que os livros podem curar acompanha a história humana há séculos. A autora recorda que, na Grécia Antiga, era comum referir-se às bibliotecas como “lugar de cura da alma”. No Renascimento, médicos e filósofos apontavam a leitura como recurso para equilibrar corpo e espírito.
O capítulo mostra também como, no início do século XX, o termo “biblioterapia” começou a ser usado formalmente em hospitais norte-americanos, em especial durante a Primeira Guerra Mundial. A leitura foi então integrada em programas de recuperação de soldados, ajudando a aliviar traumas e a criar rotinas de reabilitação.
Este enquadramento histórico é fundamental para perceber que a biblioterapia não é moda passageira, mas uma prática com tradição cultural e relevância terapêutica.
Nos últimos anos, a biblioterapia deixou de estar apenas ligada à intuição ou à experiência empírica e passou a contar com estudos científicos consistentes.
O contributo da ciência
O Capítulo 1 do livro reúne exemplos internacionais que reforçam a legitimidade da prática. Entre eles, destaca-se o estudo da University of Sussex (2009), que demonstrou que ler durante seis minutos pode reduzir o stress em 68%, mais eficaz do que ouvir música ou beber chá. Outro dado relevante surge da Universidade de Yale (2016): leitores regulares apresentam, em média, dois anos adicionais de esperança de vida face a não leitores.
Estes resultados são apenas dois entre muitos que sustentam a ideia central do capítulo: a leitura tem impacto mensurável na saúde física e psicológica, sendo um recurso acessível, económico e universal.
O contexto português
Apesar de estar consolidada em países como Reino Unido, Finlândia ou Estados Unidos, a biblioterapia ainda é pouco conhecida em Portugal. O Capítulo 1 sublinha essa ausência e aponta para a necessidade de criar um enquadramento nacional.
Num país onde, segundo a OCDE (2023), 23% da população apresenta sintomas de ansiedade ou depressão, práticas complementares tornam-se cada vez mais necessárias. A biblioterapia pode ser aplicada em escolas, bibliotecas, hospitais, lares de idosos ou contextos comunitários, oferecendo uma resposta inovadora para desafios de saúde mental e de inclusão social.
O papel do livro
Este primeiro capítulo do livro Biblioterapia: O Poder da Poesia na Gestão Emocional cumpre uma função clara: lançar as bases para compreender a biblioterapia. Ao combinar referências históricas, dados científicos e exemplos internacionais, a autora prepara o leitor para os capítulos seguintes, onde a prática é explorada em maior detalhe e aplicada ao universo da poesia.
É uma introdução que procura esclarecer, mas também motivar. Ao terminar este capítulo, o leitor percebe não só o que é a biblioterapia, mas também porque faz sentido falar dela em Portugal neste momento.
O Capítulo 1 do livro não é apenas uma apresentação teórica: é um ponto de partida. Explica, contextualiza e fundamenta. Mostra que a biblioterapia tem história, ciência e utilidade prática. E, sobretudo, abre caminho para que o leitor reconheça a relevância desta disciplina para a sua própria vida.
Ao colocar a biblioterapia em perspetiva histórica, científica e cultural, este capítulo cumpre a sua missão: transformar uma ideia abstrata num campo concreto, acessível e promissor.






